terça-feira, junho 06, 2006
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
o poder da arte
Tree Tenants Do Not Sleep
Tree Tenants Wide Awake
técnica mista, 38 x 38 cms, Tunes, 1973
As árvores que crescem dentro e sobre as casas pagam regularmente a sua renda fornecendo valores reais como o óxigénio, o belo e o silêncio, absorvendo a poeira e regularizando o clima.
terça-feira, janeiro 17, 2006
sábado, agosto 27, 2005
AS CORES DA TERRA
ISABEL MAGALHÃES, As Cores da Terra, 1998
SOBRE A TERRA
Sei que estou vivo e cresço sobre a terra.
Não porque tenha mais poder,
nem mais saber, nem mais haver.
Como lábio que suplica outro lábio,
como pequena e branca chama
de silêncio,
como sopro obscuro do primeiro crepúsculo,
sei que estou vivo, vivo
sobre o teu peito, sobre os teus flancos,
e cresço para ti.
EUGÉNIO DE ANDRADE
quinta-feira, agosto 11, 2005
sexta-feira, agosto 05, 2005
CARAMBA
É com grande tristeza que amanheço num dia de “neblina”!
Pergunto-me frequentemente: como somos capazes?!
Que dantesco cancro somos que avança sem piedade?!
Sinto-me triste e revoltado quando ontem no regresso a casa vejo um mentecapto qualquer atirar uma lata de refrigerante borda fora…
Será que não vê as notícias?!?! Ou terá de ser a sua casa a arder para dar choroso uma entrevista à TVI?!
Bem sei: existem coisas piores! Como por exemplo: homicídio; genocídio; e outros ídios!
Mas hoje revolto-me quando vejo e sinto um mundo a contrair-se de dores; quando ecoam na minha mente os gritos de uma terra em incontrolável agonia…!!!
Passamos uma vida de cabeça baixa a fixar o umbigo! Quando a levantamos vemos algo desaparecer diante dos nossos olhos e que dificilmente vamos recuperar!
Com um simples raciocínio, que deriva num forte arrepio na espinha, apercebemo-nos da espiral que é este problema e que sempre volta ao início…
Não nos podemos esquecer de vários temas: Poluição; Camada de Ozono; Espécies em Extinção; Doenças; Qualidade de vida; entre outros.
A par da “dor” da queimadura temos: altos níveis de poluição; mais e maiores buracos na camada de ozono; doenças causadas pelo desaparecimento da camada protectora da atmosfera; novos vírus que se “libertam” com o desaparecimento do seu habitat natural onde eram inócuos; espécies animais que se perdem devoradas pelas chamas, desde o mais pequeno insecto, a grandes mamíferos, inclusive abatidos pelas populações quando vêem os seus bens serem consumidos por animais que procuram alimentos porque ficaram sem habitat e consequentemente com o ciclo alimentar quebrado; que raio de vida passaremos a ter quando o cenário deixa de ter a paleta de tons da natureza para passar a cinzas, ou pior ainda betão; o ar que respiramos de puro já nem tem o nome; o sol que nos aquece até à “morte”; a água que nos banha com espuma de poluição e organismos prejudiciais… esqueçam! …os fogos vão sendo circunscritos!!...
Caramba! Que futuro daremos a gerações vindouras?! Que paisagens e locais sobreviventes a séculos de história visitaremos num dia de passeio?!
Tudo isto está a ser arrancado do nosso corpo!!
Permanecemos impávidos e seremos, impressionados com os acontecimentos, confortavelmente sentados no sofá, de comando na mão pronto a mudar de canal quando se acaba a coragem e queremos “fugir” à realidade…
Mas uma pergunta se mantém: que raio podemos fazer? É a pura e crua verdade! Vamos a correr para o meio do fogo?! Claro que não! Levantamo-nos e vamos salvar os fracos e oprimidos?! Impossível! Vestimos o uniforme de super-herói, guardado no baú desde os sonhos de criança, e vamos salvar o mundo?! Sonhos!!!
Infelizmente poucas iniciativas há, de quem as pode promover, com o objectivo de levar as pessoas a fazer algo. No entanto podemos sempre fazer tudo o que está ao nosso alcance por causas em que acreditamos. Por pouco que seja temos de estar atentos saber o que se pode fazer e agir.
É exactamente aqui que todos os problemas vão dar! Aquilo que deixamos de fazer porque achamos que não vale a pena e faz tanta diferença!
Seja o que for e para o que for, façam qualquer coisa!
Mas atenção que aldrabões não faltam por aí!!!
Façam algo, especialmente por vós! Esqueçam por um momento o conforto do lar e outras mordomias e vão em busca dos belos locais que ainda vão sobrevivendo, muitos perto de casa, enquanto é tempo. Fujam ao comodismo e sedentarismo que consomem a vida tornando-a vazia! Estejam atentos a iniciativas e arrisquem, vale sempre a pena!
Não é necessário ir para milhares de km de distância, gastar uma pipa de massa, para se passar momentos agradáveis.
Só damos valor ao que temos quando o perdemos!
Pergunto-me frequentemente: como somos capazes?!
Que dantesco cancro somos que avança sem piedade?!
Sinto-me triste e revoltado quando ontem no regresso a casa vejo um mentecapto qualquer atirar uma lata de refrigerante borda fora…
Será que não vê as notícias?!?! Ou terá de ser a sua casa a arder para dar choroso uma entrevista à TVI?!
Bem sei: existem coisas piores! Como por exemplo: homicídio; genocídio; e outros ídios!
Mas hoje revolto-me quando vejo e sinto um mundo a contrair-se de dores; quando ecoam na minha mente os gritos de uma terra em incontrolável agonia…!!!
Passamos uma vida de cabeça baixa a fixar o umbigo! Quando a levantamos vemos algo desaparecer diante dos nossos olhos e que dificilmente vamos recuperar!
Com um simples raciocínio, que deriva num forte arrepio na espinha, apercebemo-nos da espiral que é este problema e que sempre volta ao início…
Não nos podemos esquecer de vários temas: Poluição; Camada de Ozono; Espécies em Extinção; Doenças; Qualidade de vida; entre outros.
A par da “dor” da queimadura temos: altos níveis de poluição; mais e maiores buracos na camada de ozono; doenças causadas pelo desaparecimento da camada protectora da atmosfera; novos vírus que se “libertam” com o desaparecimento do seu habitat natural onde eram inócuos; espécies animais que se perdem devoradas pelas chamas, desde o mais pequeno insecto, a grandes mamíferos, inclusive abatidos pelas populações quando vêem os seus bens serem consumidos por animais que procuram alimentos porque ficaram sem habitat e consequentemente com o ciclo alimentar quebrado; que raio de vida passaremos a ter quando o cenário deixa de ter a paleta de tons da natureza para passar a cinzas, ou pior ainda betão; o ar que respiramos de puro já nem tem o nome; o sol que nos aquece até à “morte”; a água que nos banha com espuma de poluição e organismos prejudiciais… esqueçam! …os fogos vão sendo circunscritos!!...
Caramba! Que futuro daremos a gerações vindouras?! Que paisagens e locais sobreviventes a séculos de história visitaremos num dia de passeio?!
Tudo isto está a ser arrancado do nosso corpo!!
Permanecemos impávidos e seremos, impressionados com os acontecimentos, confortavelmente sentados no sofá, de comando na mão pronto a mudar de canal quando se acaba a coragem e queremos “fugir” à realidade…
Mas uma pergunta se mantém: que raio podemos fazer? É a pura e crua verdade! Vamos a correr para o meio do fogo?! Claro que não! Levantamo-nos e vamos salvar os fracos e oprimidos?! Impossível! Vestimos o uniforme de super-herói, guardado no baú desde os sonhos de criança, e vamos salvar o mundo?! Sonhos!!!
Infelizmente poucas iniciativas há, de quem as pode promover, com o objectivo de levar as pessoas a fazer algo. No entanto podemos sempre fazer tudo o que está ao nosso alcance por causas em que acreditamos. Por pouco que seja temos de estar atentos saber o que se pode fazer e agir.
É exactamente aqui que todos os problemas vão dar! Aquilo que deixamos de fazer porque achamos que não vale a pena e faz tanta diferença!
Seja o que for e para o que for, façam qualquer coisa!
Mas atenção que aldrabões não faltam por aí!!!
Façam algo, especialmente por vós! Esqueçam por um momento o conforto do lar e outras mordomias e vão em busca dos belos locais que ainda vão sobrevivendo, muitos perto de casa, enquanto é tempo. Fujam ao comodismo e sedentarismo que consomem a vida tornando-a vazia! Estejam atentos a iniciativas e arrisquem, vale sempre a pena!
Não é necessário ir para milhares de km de distância, gastar uma pipa de massa, para se passar momentos agradáveis.
Só damos valor ao que temos quando o perdemos!
segunda-feira, abril 04, 2005
CineGuês
Quem tem por hábito frequentar as salas de cinema sabe que actualmente pode enfrentar duas realidades:
- Uma panóplia de filmes do mais variado calibre
- Filmes que passam em Cinemas considerados de culto
Durante muito tempo esta separação esteve muito vincada, sendo remetidos para a realidade "pseudo-intelectual" os filmes de produção nacional.
Há que desmistificar e felizmente tem-se caminhado nesse sentido, tendo-se vindo a fazer um franco investimento em produções nacionais de grande qualidade.
Porque não experimentar ver um "filmezito" português na Grande Tela?
Existem várias razões para o fazer:
1 - Há bilhetes com fartura
2 - Pode-se sempre dizer que se vê filmes portugueses
3 - Não tem legendas
4 - Fomentar a produção nacional
5 - Volta e meia aparecem filmes bons num centro comercial perto de si
Apesar da dificuldade extrema em decidir qual a razão para o fazer, concentremo-nos na 4 e na 5.
Se a afluência às salas de cinema para ver produção nacional for consideravelmente grande haverá com certeza mais investimento o que potencia a qualidade.
Paralelamente, já não é necessário deslocarmo-nos a cinemas com ambientes suspeitos, onde todos parecem eruditos não se sabe muito bem do quê mas que não será nada daquilo que somos, pois as grandes empresas de transmissão da sétima arte, com salas nos locais mais frequentados pelo Zé Povinho, já investem na película alternativa e levam até nós filmes "diferentes". Ora isto também é resultado de uma maior procura!
Se estas palavras fazem algum sentido, avanço com a sugestão para um filme que se encontra em cartaz:
"Um Tiro no Escuro"
É um filme interessante, com um argumento bem construído, longe de ser original, mas muito bem produzido e explorado.
Apesar do elenco não ser composto só de "estrelas", a representação está muito boa. (o público masculino deve gostar especialmente do contributo do nosso país irmão: o Brasil :)) )
Claro que há sempre pontos negativos, a referir: excesso de linguagem menos própria; muitos cigarros; e muitos barbudos.
A produção nacional ainda não se consegue desligar destes aspectos menos positivos, mas se analisarmos bem o que vem de fora é a mesma coisa só que a nossa tendência é sentir um filme nacional com demasiado realismo, já que nos identificamos com ele, enquanto as produções estrangeiras são sempre ficção!
- Uma panóplia de filmes do mais variado calibre
- Filmes que passam em Cinemas considerados de culto
Durante muito tempo esta separação esteve muito vincada, sendo remetidos para a realidade "pseudo-intelectual" os filmes de produção nacional.
Há que desmistificar e felizmente tem-se caminhado nesse sentido, tendo-se vindo a fazer um franco investimento em produções nacionais de grande qualidade.
Porque não experimentar ver um "filmezito" português na Grande Tela?
Existem várias razões para o fazer:
1 - Há bilhetes com fartura
2 - Pode-se sempre dizer que se vê filmes portugueses
3 - Não tem legendas
4 - Fomentar a produção nacional
5 - Volta e meia aparecem filmes bons num centro comercial perto de si
Apesar da dificuldade extrema em decidir qual a razão para o fazer, concentremo-nos na 4 e na 5.
Se a afluência às salas de cinema para ver produção nacional for consideravelmente grande haverá com certeza mais investimento o que potencia a qualidade.
Paralelamente, já não é necessário deslocarmo-nos a cinemas com ambientes suspeitos, onde todos parecem eruditos não se sabe muito bem do quê mas que não será nada daquilo que somos, pois as grandes empresas de transmissão da sétima arte, com salas nos locais mais frequentados pelo Zé Povinho, já investem na película alternativa e levam até nós filmes "diferentes". Ora isto também é resultado de uma maior procura!
Se estas palavras fazem algum sentido, avanço com a sugestão para um filme que se encontra em cartaz:
"Um Tiro no Escuro"
É um filme interessante, com um argumento bem construído, longe de ser original, mas muito bem produzido e explorado.
Apesar do elenco não ser composto só de "estrelas", a representação está muito boa. (o público masculino deve gostar especialmente do contributo do nosso país irmão: o Brasil :)) )
Claro que há sempre pontos negativos, a referir: excesso de linguagem menos própria; muitos cigarros; e muitos barbudos.
A produção nacional ainda não se consegue desligar destes aspectos menos positivos, mas se analisarmos bem o que vem de fora é a mesma coisa só que a nossa tendência é sentir um filme nacional com demasiado realismo, já que nos identificamos com ele, enquanto as produções estrangeiras são sempre ficção!
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Urgentemente
É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
domingo, dezembro 19, 2004
Pele
Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que a tua pele ser pele da minha pele
de mais que a tua pele ser pele da minha pele
Copyright ©David Mourão-Ferreira
quarta-feira, dezembro 08, 2004
EDUCAÇÃO SENTIMENTAL
Na janela mais alta de Lisboa,
és a ave chamada Todavia:
a que posta no chão não se desvia
mas que perto do rio já não voa...
Hei-de ensinar-te, devagar, (perdoa!),
a pressa com que Amor se pronuncia
e a conjugares a noite com o dia
quando o corpo do corpo se condoa...
fecha os olhos, e voa! Mas não queiras
ao inferno do céu traçar fronteiras
nem ao céu do inferno pôr limites:
voar só vale a pena enquanto for
uma forma de amar além do amor,
furor que todavia não habites...
David Mourão-Ferreira
Na janela mais alta de Lisboa,
és a ave chamada Todavia:
a que posta no chão não se desvia
mas que perto do rio já não voa...
Hei-de ensinar-te, devagar, (perdoa!),
a pressa com que Amor se pronuncia
e a conjugares a noite com o dia
quando o corpo do corpo se condoa...
fecha os olhos, e voa! Mas não queiras
ao inferno do céu traçar fronteiras
nem ao céu do inferno pôr limites:
voar só vale a pena enquanto for
uma forma de amar além do amor,
furor que todavia não habites...
David Mourão-Ferreira
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Através da Chuva e da Névoa
Chovia e vi-te entrar no mar
longe de aqui há muito tempo já
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Mais tarde olhei-te e nem te conhecia
Agora aqui relembro e pergunto:
Qual é a realidade de tudo isto?
Afinal onde é que as coisas continuam
e como continuam se é que continuam?
Apenas deixarei atrás de mim tubos de comprimidos
a casa povoada o nome no registo
uma menção no livro das primeiras letras?
Chovia e vi-te entrar no mar
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Que importa que algures continues?
Tudo morreu: tu eu esse tempo esse lugar
Que posso eu fazer por tudo isso agora?
Talvez dizer apenas
chovia e vi-te entrar no mar
E aceitar a irremediável morte para tudo e todos
Ruy Belo in “Todos os Poemas I”
longe de aqui há muito tempo já
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Mais tarde olhei-te e nem te conhecia
Agora aqui relembro e pergunto:
Qual é a realidade de tudo isto?
Afinal onde é que as coisas continuam
e como continuam se é que continuam?
Apenas deixarei atrás de mim tubos de comprimidos
a casa povoada o nome no registo
uma menção no livro das primeiras letras?
Chovia e vi-te entrar no mar
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Que importa que algures continues?
Tudo morreu: tu eu esse tempo esse lugar
Que posso eu fazer por tudo isso agora?
Talvez dizer apenas
chovia e vi-te entrar no mar
E aceitar a irremediável morte para tudo e todos
Ruy Belo in “Todos os Poemas I”
segunda-feira, novembro 29, 2004
Cúmplices
A noite vem às vezes tão perdida
e quase nada parece bater certo
há qualquer coisa em nos inquieta e ferida
e tudo que era fundo fica perto
nem sempre o chão da alma é seguro
nem sempre o tempo cura qualquer dor
e o sabor a fim da mar que vem do escuro
é tantas vezes o que resta do calor
se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
trocamos as palavras mais escondidas
e só a noite arranca sem doer
seremos cúmplices o resto da vida
ou talvez só até amanhecer
fica tão fácil entregar a alma
a quem nos traga um sopro do deserto
olhar onde a distância nunca acalma
esperando o que vier de peito aberto
se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
e quase nada parece bater certo
há qualquer coisa em nos inquieta e ferida
e tudo que era fundo fica perto
nem sempre o chão da alma é seguro
nem sempre o tempo cura qualquer dor
e o sabor a fim da mar que vem do escuro
é tantas vezes o que resta do calor
se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
trocamos as palavras mais escondidas
e só a noite arranca sem doer
seremos cúmplices o resto da vida
ou talvez só até amanhecer
fica tão fácil entregar a alma
a quem nos traga um sopro do deserto
olhar onde a distância nunca acalma
esperando o que vier de peito aberto
se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho
roubado daqui
terça-feira, novembro 23, 2004
Verde Nuclear
Polémica internacional sobre as vantagens ecológicas da energia atómica
Um novo debate cientifico volta a lançar a questão das centrais atómicas. Muitos especialistas defendem a energia nuclear como sendo a alternativa mais segura, eficaz e ecológica para satisfazer as necessidades de electricidade e evitar o aquecimento global da atmosfera.
in “Super Interessante”
Um novo debate cientifico volta a lançar a questão das centrais atómicas. Muitos especialistas defendem a energia nuclear como sendo a alternativa mais segura, eficaz e ecológica para satisfazer as necessidades de electricidade e evitar o aquecimento global da atmosfera.
in “Super Interessante”
THE MANCHURIAN CANDIDATE
Há duas ou três semanas, fui ver o filme a que os portugueses - com autoridade na matéria - deram o título O CANDIDATO NATURAL. Nunca percebi bem o critério destas traduções, quem decide o quê, quem acha porque sim e porque também. Frequentemente sou tentada a pensar que se muda o título por um mais atractivo, que "por estar mais próximo de nós" possa contribuir para engrossar o volume de venda de bilhetes. Outras, nem isso penso.
The leading actors - Merryl Streep e Denzel Washington - são o garante do cartaz, assim como outros actores, em papeis secundários, mas com excelentes interpretações.
O plot, dá que pensar. É controverso. Mostra-nos realidades a anos-luz da nossa realidade de cidadãos comuns. E deixa-nos receios, dúvidas e interrogações.
segunda-feira, novembro 15, 2004
A Vedação
Trata a história de uma grande caminhada. O caminho para a liberdade, percorrido com a força do espírito contra todas as adversidades.
Filme muito bem realizado, baseado numa história verídica, com pormenores que transportam o espectador para dentro do filme.
Todo o conjunto de sensações visuais são completadas, de uma forma genial, com uma banda sonora composta por Peter Gabriel.
Quantos de nós não estão a par do que se passa ou passou, em certas partes do mundo, só porque nunca ninguém “falou” sobre isso?
É o caso deste filme. O argumento retrata a realidade vivida pelo povo Aborígene na Austrália dos anos 30. Situação semelhante ao que aconteceu um pouco por todas terras onde o Branco pisou, a subjugação dos Povos Nativos, consequente destruição e perda de identidade, sempre com a desculpa de que só querem ajudar!!!
A história do filme começa com as consequências de uma lei, emitida pelo Branco, onde qualquer criança que não fosse de raça pura, chamadas Mestiças, poderiam ser retiradas de suas casas e levadas para colónias onde eram treinadas para todo o tipo de trabalhos de servidão. (aos Brancos como é óbvio!!)
Qual a justificação?
Simples: evitar a proliferação de uma terceira raça!!!
Argumento: defender os nativos contra eles próprios!!
Não mencionado mas implícito, qual o motivo que leva a que surjam crianças Mestiças?
Simples: com a chegada e domínio do Branco, realocação de tribos em reservas, o bom do Branco, entre muitas outras atrocidades, começa a saciar as suas bestiais necessidades nas mulheres Nativas.
Consequência: destruição da raça, orgulho e cultura ancestrais!
Argumento: salvá-los deles próprios!!!
Mas o que é que isto tem a ver com caminhadas? Perguntam vocês.
O filme baseia-se na fuga de três crianças Mestiças de uma das colónias, empreendendo uma caminhada de 2400 kilómetros.
Uma aventura pela liberdade para voltarem para casa.
Todas essas crianças foram chamadas de Gerações Roubadas (Stolen Generations).
Só isso? Bem pelo contrário!!
Vejam o filme!!!!
Filme muito bem realizado, baseado numa história verídica, com pormenores que transportam o espectador para dentro do filme.
Todo o conjunto de sensações visuais são completadas, de uma forma genial, com uma banda sonora composta por Peter Gabriel.
Quantos de nós não estão a par do que se passa ou passou, em certas partes do mundo, só porque nunca ninguém “falou” sobre isso?
É o caso deste filme. O argumento retrata a realidade vivida pelo povo Aborígene na Austrália dos anos 30. Situação semelhante ao que aconteceu um pouco por todas terras onde o Branco pisou, a subjugação dos Povos Nativos, consequente destruição e perda de identidade, sempre com a desculpa de que só querem ajudar!!!
A história do filme começa com as consequências de uma lei, emitida pelo Branco, onde qualquer criança que não fosse de raça pura, chamadas Mestiças, poderiam ser retiradas de suas casas e levadas para colónias onde eram treinadas para todo o tipo de trabalhos de servidão. (aos Brancos como é óbvio!!)
Qual a justificação?
Simples: evitar a proliferação de uma terceira raça!!!
Argumento: defender os nativos contra eles próprios!!
Não mencionado mas implícito, qual o motivo que leva a que surjam crianças Mestiças?
Simples: com a chegada e domínio do Branco, realocação de tribos em reservas, o bom do Branco, entre muitas outras atrocidades, começa a saciar as suas bestiais necessidades nas mulheres Nativas.
Consequência: destruição da raça, orgulho e cultura ancestrais!
Argumento: salvá-los deles próprios!!!
Mas o que é que isto tem a ver com caminhadas? Perguntam vocês.
O filme baseia-se na fuga de três crianças Mestiças de uma das colónias, empreendendo uma caminhada de 2400 kilómetros.
Uma aventura pela liberdade para voltarem para casa.
Todas essas crianças foram chamadas de Gerações Roubadas (Stolen Generations).
Só isso? Bem pelo contrário!!
Vejam o filme!!!!
sábado, novembro 13, 2004
TROY
Para quem gosta do género será um bom filme.
Em jeito e dimensão de épico, Wolfgang tenta uma abordagem da “Ilíada” de Homero.
Historiadores cheguem-se à frente para julgar os factos, pois essa função não me compete.
É um filme bom de ver e intenso, na minha opinião melhor que outros do género, como p.e. “O Gladiador”, no qual o factor “herói americano” impregna todo o argumento! Neste as “americanisses” ficaram de fora!
Tecnicamente é um bom filme! Utiliza o melhor dos nossos dias em técnicas de efeitos especiais, criando um ambiente bastante real, o qual nos faz entrar na história e esquecer o resto.
Esquecendo falas e jeitos que certamente não seriam de épocas como aquelas, acabamos por ser envolvidos pelo espírito da coisa.
Apesar da figura de menino bonito de Brad Pitt, que o é, enquadra-se perfeitamente na figura de Aquiles.
Para as Senhoras este será um filme carregado de belas “peitaças” e homens “desnudados”; para os Machos (men) esta será uma overdose de testosterona!
Para mim é um filme historicamente interessante e tecnologicamente bem feito!
Será na sua essência uma luta entre honra, justiça e amor, contra ambição, orgulho e ódio.
Papeis representados por Tróia e Grécia, respectivamente.
Esta situação é explorada e personalizada no papel de Heitor: homem justo, que luta pela honra e amor ao seus; e Aquiles: homem carregado de orgulho e ambição desmedida, cheio de ódio pela autoridade real, fazendo prevalecer só a sua vontade com objectivo de tornar o seu nome imortal.
Ambos exímios guerreiros serão o âmago deste conflito, culminando a mensagem do filme com a crença de muitos povos em que o guerreiro que mata o outro adquire o seu espírito, será aqui que a mudança de um alterará o desfecho da história e revelará o calcanhar de Aquiles
Vale a pena ver!
Em jeito e dimensão de épico, Wolfgang tenta uma abordagem da “Ilíada” de Homero.
Historiadores cheguem-se à frente para julgar os factos, pois essa função não me compete.
É um filme bom de ver e intenso, na minha opinião melhor que outros do género, como p.e. “O Gladiador”, no qual o factor “herói americano” impregna todo o argumento! Neste as “americanisses” ficaram de fora!
Tecnicamente é um bom filme! Utiliza o melhor dos nossos dias em técnicas de efeitos especiais, criando um ambiente bastante real, o qual nos faz entrar na história e esquecer o resto.
Esquecendo falas e jeitos que certamente não seriam de épocas como aquelas, acabamos por ser envolvidos pelo espírito da coisa.
Apesar da figura de menino bonito de Brad Pitt, que o é, enquadra-se perfeitamente na figura de Aquiles.
Para as Senhoras este será um filme carregado de belas “peitaças” e homens “desnudados”; para os Machos (men) esta será uma overdose de testosterona!
Para mim é um filme historicamente interessante e tecnologicamente bem feito!
Será na sua essência uma luta entre honra, justiça e amor, contra ambição, orgulho e ódio.
Papeis representados por Tróia e Grécia, respectivamente.
Esta situação é explorada e personalizada no papel de Heitor: homem justo, que luta pela honra e amor ao seus; e Aquiles: homem carregado de orgulho e ambição desmedida, cheio de ódio pela autoridade real, fazendo prevalecer só a sua vontade com objectivo de tornar o seu nome imortal.
Ambos exímios guerreiros serão o âmago deste conflito, culminando a mensagem do filme com a crença de muitos povos em que o guerreiro que mata o outro adquire o seu espírito, será aqui que a mudança de um alterará o desfecho da história e revelará o calcanhar de Aquiles
Vale a pena ver!
sexta-feira, novembro 12, 2004
SOBRE A TERRA
Sei que estou vivo e cresço sobre a terra.
Não porque tenha mais poder,
nem mais saber, nem mais haver.
Como lábio que suplica outro lábio,
como pequena e branca chama
de silêncio,
como sopro obscuro do primeiro crepúsculo,
sei que estou vivo, vivo
sobre o teu peito, sobre os teus flancos,
e cresço para ti.
EUGÉNIO DE ANDRADE
in O Outro Nome da Terra
Sei que estou vivo e cresço sobre a terra.
Não porque tenha mais poder,
nem mais saber, nem mais haver.
Como lábio que suplica outro lábio,
como pequena e branca chama
de silêncio,
como sopro obscuro do primeiro crepúsculo,
sei que estou vivo, vivo
sobre o teu peito, sobre os teus flancos,
e cresço para ti.
EUGÉNIO DE ANDRADE
in O Outro Nome da Terra
segunda-feira, novembro 08, 2004
Espero
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
Sophia de Mello Breyner Andresen
ILHA
Deitada és uma ilha E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
David Mourão-Ferreira
in MATURA IDADE
[1966-1972]
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
deitada és uma ilha Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
David Mourão-Ferreira
in MATURA IDADE
[1966-1972]
quarta-feira, novembro 03, 2004
Plano
Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.
Nuno Júdice
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.
Nuno Júdice
segunda-feira, novembro 01, 2004
5.
À deriva
no mar da noite
este pequeno sentimento de culpa
de amor e culpa
que traz em si insónia
e saudade do tempo.
À deriva
este pequeno assunto
à espera de cair na rede da memória
à espera de surgir
à tona da maré.
À deriva
este sorriso
que não sei de quem é
que vem flutua assoma
com raizes de líquen
bafo de alga
de alguém que nunca vi
Ou talvez visse me olhasse e me sorrisse
e já esqueci.
Rosa lobato de Faria
in Poemas Escolhidos e Dispersos
no mar da noite
este pequeno sentimento de culpa
de amor e culpa
que traz em si insónia
e saudade do tempo.
À deriva
este pequeno assunto
à espera de cair na rede da memória
à espera de surgir
à tona da maré.
À deriva
este sorriso
que não sei de quem é
que vem flutua assoma
com raizes de líquen
bafo de alga
de alguém que nunca vi
Ou talvez visse me olhasse e me sorrisse
e já esqueci.
Rosa lobato de Faria
in Poemas Escolhidos e Dispersos
domingo, outubro 31, 2004
SOTTO VOCE
É possível que eu esqueça a liquidez da lua
o sono dessa rua às três da madrugada
a longa caminhada orquestrada pela chuva
a sombra de uma luva em cima de uma vaga
É possível que eu esqueça o dia em que nasceste
Em que depois da luva apareceram as mãos
É possível que eu esqueça Ou me seja indiferente
É possível que sim É preciso que não
David Mourão-Ferreira
in Do Tempo ao Coração [1962-1966]
É possível que eu esqueça a liquidez da lua
o sono dessa rua às três da madrugada
a longa caminhada orquestrada pela chuva
a sombra de uma luva em cima de uma vaga
É possível que eu esqueça o dia em que nasceste
Em que depois da luva apareceram as mãos
É possível que eu esqueça Ou me seja indiferente
É possível que sim É preciso que não
David Mourão-Ferreira
in Do Tempo ao Coração [1962-1966]
quinta-feira, outubro 28, 2004
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade
in Mar
Sophia de Mello Breyner Andresen
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade
in Mar
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, outubro 24, 2004
quinta-feira, outubro 21, 2004
Paula Rêgo - Fundação Serralves
Exposição da pintora Paula Rêgo na Fundação Serralves
de 15 de Outubro de 2004 a 23 de Janeiro de 2005
"A exposição apresentará uma selecção da obra de Paula Rego produzida a partir de 1996, incidindo particularmente na relação entre a sua pintura e o desenho, assim como na construção de situações ficcionais singulares e idiossincráticas. A artista apresentará pela primeira vez os desenhos preparatórios das suas pinturas, realizando ainda uma nova série de trabalhos, especificamente pensados para esta exposição, a partir de um tema onde surja como referência a cidade do Porto. A exposição terá início no Museu de Serralves, encontrando-se em estudo a sua itinerância por Espanha, França e Itália, sabendo-se já do interesse da Colecção Saatchi em poder ser a entidade co-produtora onde a exposição terá a sua última itinerância. "
www.serralves.pt
de 15 de Outubro de 2004 a 23 de Janeiro de 2005
"A exposição apresentará uma selecção da obra de Paula Rego produzida a partir de 1996, incidindo particularmente na relação entre a sua pintura e o desenho, assim como na construção de situações ficcionais singulares e idiossincráticas. A artista apresentará pela primeira vez os desenhos preparatórios das suas pinturas, realizando ainda uma nova série de trabalhos, especificamente pensados para esta exposição, a partir de um tema onde surja como referência a cidade do Porto. A exposição terá início no Museu de Serralves, encontrando-se em estudo a sua itinerância por Espanha, França e Itália, sabendo-se já do interesse da Colecção Saatchi em poder ser a entidade co-produtora onde a exposição terá a sua última itinerância. "
www.serralves.pt
domingo, outubro 17, 2004
Lost In Translation – O Amor é um lugar estranho
Um filme sincero e bastante real.
Temperado qb com o humor característico de Bill Murray.
Uma visão fantástica e simultaneamente crítica da sociedade japonesa em Tóquio, serve de pano de fundo a momentos vividos pelos dois personagens principais ao enfrentarem a realidade das suas vidas num país longe do seu e perfeitamente díspar.
Para todos aqueles que estão perdidos ou desorientados.
Não hesitem!
O que estão à espera!
Temperado qb com o humor característico de Bill Murray.
Uma visão fantástica e simultaneamente crítica da sociedade japonesa em Tóquio, serve de pano de fundo a momentos vividos pelos dois personagens principais ao enfrentarem a realidade das suas vidas num país longe do seu e perfeitamente díspar.
Para todos aqueles que estão perdidos ou desorientados.
Não hesitem!
O que estão à espera!
domingo, outubro 10, 2004
O Pêndulo de Foucault – Umberto Eco
Tendo por base a vida de três redactores editoriais, este livro gira à volta de temas herméticos.
A descoberta de uma mensagem e a leitura de diversos manuscritos sobre Templários, Rosas-Cruzes, outras sociedades secretas e temas relacionados, vai levá-los e empreender uma tarefa deveras ambiciosa: a construção de um Plano, no qual vão interceptar e relacionar diversos temas e acontecimentos remontando a séculos atrás, fazendo analogias até os dias de hoje com o objectivo de revelar uma Conspiração a nível mundial.
Tudo isto é temperado com a história de cada um dos três personagens, envolvida num contexto político e social, em particular na Itália dos anos 40, 60 e 70, e em geral do resto do mundo.
Para um leigo como eu, estas foram 555 páginas sofridas.
A escrita de Umberto Eco (quem o conhece talvez me dê uma ideia diferente) não é fácil. Ela própria bastante hermética! Claro que o facto de ser doutorado em filosofia tem uma grande influência.
Mas a edição, que agora descansa na minha estante, é que faz com que o caminho seja penoso! Umberto faz um grande trabalho de investigação, fundamentando cada capítulo (estamos a falar de120!!) com um excerto retirado de determinada obra. O problema é que são escritos em latim, francês, italiano, alemão, etc, e o tradutor da obra não os traduziu!! Isto também acontece ao longo do texto em diversas passagens e diálogos!!
Além disto não há nenhuma nota de tradutor para os termos específicos!
Não recomendo! Talvez o volte a ler daqui a uns anitos!
A descoberta de uma mensagem e a leitura de diversos manuscritos sobre Templários, Rosas-Cruzes, outras sociedades secretas e temas relacionados, vai levá-los e empreender uma tarefa deveras ambiciosa: a construção de um Plano, no qual vão interceptar e relacionar diversos temas e acontecimentos remontando a séculos atrás, fazendo analogias até os dias de hoje com o objectivo de revelar uma Conspiração a nível mundial.
Tudo isto é temperado com a história de cada um dos três personagens, envolvida num contexto político e social, em particular na Itália dos anos 40, 60 e 70, e em geral do resto do mundo.
Para um leigo como eu, estas foram 555 páginas sofridas.
A escrita de Umberto Eco (quem o conhece talvez me dê uma ideia diferente) não é fácil. Ela própria bastante hermética! Claro que o facto de ser doutorado em filosofia tem uma grande influência.
Mas a edição, que agora descansa na minha estante, é que faz com que o caminho seja penoso! Umberto faz um grande trabalho de investigação, fundamentando cada capítulo (estamos a falar de120!!) com um excerto retirado de determinada obra. O problema é que são escritos em latim, francês, italiano, alemão, etc, e o tradutor da obra não os traduziu!! Isto também acontece ao longo do texto em diversas passagens e diálogos!!
Além disto não há nenhuma nota de tradutor para os termos específicos!
Não recomendo! Talvez o volte a ler daqui a uns anitos!
terça-feira, outubro 05, 2004
A ARTE DA ESCRITA
"A ditadura produziu dirigentes políticos de melhor qualidade que a democracia."Guerra, João, Diário Económico, em 20041004
"A democracia não é um sistema perfeito mas, até à data, ainda não se descobriu nada melhor."
Já não sei quem disse mas eu também digo! de Magalhães, Isabel, Blogoesfera, em 20041005.
"A democracia não é um sistema perfeito mas, até à data, ainda não se descobriu nada melhor."
Já não sei quem disse mas eu também digo! de Magalhães, Isabel, Blogoesfera, em 20041005.
Inocente ou Culpado?
Apesar de saber que este é um filme que depois de ser visto a primeira vez o véu se levanta e revela a verdade, adquiri uma versão em DVD que saiu com um jornal diário recentemente e voltei a vê-lo.
Este é um filme que recomendo. Sobre causas, tem como pano de fundo a questão da pena de morte.
É a história de David Gale (Kevin Spacey, brilhante mais uma vez), professor de filosofia e activista de um movimento contra a pena de morte, que é condenado à morte pelos crimes de violação e homicídio. Mas esta é só a linha principal..... o enredo é mais complexo e a teia desenvolve-se à nossa volta.
Muito bem realizado, foca temas importantes como a força que precisamos para enfrentar a adversidade da vida, o direito de morrer, e a fiabilidade do sistema judicial quando aplica a pena de morte.
São garantidos momentos intensos, que no decorrer do filme questionam as nossas convicções.
No final é deixado espaço para o espectador tirar as suas conclusões.
A não deixar de ver já que é um filme que nos faz pensar sobre temas que ultimamente estão em último plano e que não nos preocupam particularmente enquanto portugueses.
Este é um filme que recomendo. Sobre causas, tem como pano de fundo a questão da pena de morte.
É a história de David Gale (Kevin Spacey, brilhante mais uma vez), professor de filosofia e activista de um movimento contra a pena de morte, que é condenado à morte pelos crimes de violação e homicídio. Mas esta é só a linha principal..... o enredo é mais complexo e a teia desenvolve-se à nossa volta.
Muito bem realizado, foca temas importantes como a força que precisamos para enfrentar a adversidade da vida, o direito de morrer, e a fiabilidade do sistema judicial quando aplica a pena de morte.
São garantidos momentos intensos, que no decorrer do filme questionam as nossas convicções.
No final é deixado espaço para o espectador tirar as suas conclusões.
A não deixar de ver já que é um filme que nos faz pensar sobre temas que ultimamente estão em último plano e que não nos preocupam particularmente enquanto portugueses.
sábado, outubro 02, 2004
Paixão de Cristo
Porque não começar por um dos filmes mais polémicos da actualidade.
Vejo este filme como algo que vai muito além de questões religiosas.
É um tratado sobre a Natureza Humana!
Que por acaso tem como pano de fundo as últimas horas de alguém chamado Jesus de Nazaré.
Abana-nos e acorda-nos para a realidade do que somos e nos transformámos.
Mostra um homem que, como o comum dos mortais, sente medo e dor.
Não apresenta um determinado povo como “vilão”, bem pelo contrário foca a atenção na natureza maléfica de algumas pessoas enquanto elementos da raça humana. Alguns maquiavélicos por questões políticas, outros por puro prazer e muitos outros por pura ignorância e estupidez.
A violência de que tanta gente se queixa tem mesmo de existir! Sem ela a mensagem do filme não fazia sentido.
Pensemos um pouco: Naquelas épocas tão conturbadas se existiam torturas, castigos, punições, etc, seria, com toda a certeza, bem pior do que aquilo que o filme apresenta!
Uma coisa é certa: Não seria como os filmes anteriores sobre o tema, especialmente com um homem de olhos azuis, com o cabelo e a barba bem cuidados e roupas de designer! Essa é a realidade que queremos ver!
A atenção deve ser dirigida, não para as feridas que os golpes infligem, mas sim para a expressão de quem os leva a cabo e para os motivos que os originaram.
Sinceramente, a religião é mais um instrumento de “tortura” e controlo! Este filme serve essencialmente para mostrar aquilo que um ser humano é capaz de fazer e a maldade que existe por aí!
A polémica surge porque não queremos admitir o que fizemos ao longo dos tempos (a maior parte a história omitiu!) e aquilo que somos capazes de fazer!!
Não é preciso ler um compêndio de história, ou ver um filme sobre o tema, basta olhar para a realidade actual. O que move as pessoas actualmente... Crimes grotescos que ocorrem a cada minuto... A espiral de desgraças que assolam o mundo...
A Fé não se pode quantificar pelo número de vezes que vamos a determinada igreja, ou pelo aquilo em que acreditamos! Tem de ser algo incondicional; algo que se sente; algo que faz parte de nós em cada momento; algo que tem pouco a ver com o Homem mas sim com a natureza da sua bondade e compaixão...
Vejo este filme como algo que vai muito além de questões religiosas.
É um tratado sobre a Natureza Humana!
Que por acaso tem como pano de fundo as últimas horas de alguém chamado Jesus de Nazaré.
Abana-nos e acorda-nos para a realidade do que somos e nos transformámos.
Mostra um homem que, como o comum dos mortais, sente medo e dor.
Não apresenta um determinado povo como “vilão”, bem pelo contrário foca a atenção na natureza maléfica de algumas pessoas enquanto elementos da raça humana. Alguns maquiavélicos por questões políticas, outros por puro prazer e muitos outros por pura ignorância e estupidez.
A violência de que tanta gente se queixa tem mesmo de existir! Sem ela a mensagem do filme não fazia sentido.
Pensemos um pouco: Naquelas épocas tão conturbadas se existiam torturas, castigos, punições, etc, seria, com toda a certeza, bem pior do que aquilo que o filme apresenta!
Uma coisa é certa: Não seria como os filmes anteriores sobre o tema, especialmente com um homem de olhos azuis, com o cabelo e a barba bem cuidados e roupas de designer! Essa é a realidade que queremos ver!
A atenção deve ser dirigida, não para as feridas que os golpes infligem, mas sim para a expressão de quem os leva a cabo e para os motivos que os originaram.
Sinceramente, a religião é mais um instrumento de “tortura” e controlo! Este filme serve essencialmente para mostrar aquilo que um ser humano é capaz de fazer e a maldade que existe por aí!
A polémica surge porque não queremos admitir o que fizemos ao longo dos tempos (a maior parte a história omitiu!) e aquilo que somos capazes de fazer!!
Não é preciso ler um compêndio de história, ou ver um filme sobre o tema, basta olhar para a realidade actual. O que move as pessoas actualmente... Crimes grotescos que ocorrem a cada minuto... A espiral de desgraças que assolam o mundo...
A Fé não se pode quantificar pelo número de vezes que vamos a determinada igreja, ou pelo aquilo em que acreditamos! Tem de ser algo incondicional; algo que se sente; algo que faz parte de nós em cada momento; algo que tem pouco a ver com o Homem mas sim com a natureza da sua bondade e compaixão...
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